Programa de Educação Tutorial (PET) - BIBLIOTECONOMIA

A biblioteca de José Sarney

Em “A Conturbada história das Bibliotecas” o escritor Mathew Battles conta a história das bibliotecas como reveladoras dos interesses e dos conflitos da humanidade. Segundo o autor “Desde a Antiguidade, a biblioteca sempre foi o local mais apropriado para conservar livros em grande escala. Reunidos num único edifício, publicações das mais diversas origens acabam sendo alvo fácil para ódios políticos ou também vítimas passivas de guerras e de acidentes naturais”. Não só reveladoras dos conflitos humanos e das contradições históricas, as bibliotecas também podem ser vistas como um instrumento de poder. Para Jacob Christian, “O poder das bibliotecas não se situa apenas no mundo das palavras e dos conceitos. Como Alexandria já o significava claramente, o domínio da memória escrita e a acumulação dos livros não deixam de ter significações políticas. Eles são signos de poder”. Pensando na biblioteca como instrumento de poder, talvez poderíamos entender os motivos pelos quais levou o presidente do Senado, José Sarney, a acumular tantos livros em sua biblioteca pessoal. Em artigo recente a Folha de S.Paulo, Intitulado “Ainda uma vez o livro”, publicado no dia 19 de junho, coluna que colabora todas as sextas, José Sarney argumentou que mesmo com todos os novos aparelhos de armazenamento de livros, como o E-book e o Kindle, este (o livro impresso) nunca vai conhecer o seu fim, pois além de poder cair no chão e não quebrar, ainda é capaz de acumular vários livros em um mesmo livro: “Por milhares de livros que possam acumular essas máquinas, elas jamais acumularam os tantos livros que existem num livro”. O autor exaltou o livro impresso e todas as suas maravilhas, no entanto, temos que tomar cuidado com esses falsos idealizadores do bem comum, pois a notícia do dia 23 de junho de que o presidente do Senado utilizou dinheiro público dos atos secretos executados por Agaciel Maia, então diretor-geral do Senado, para organizar sua biblioteca pessoal é vergonhosa e contradiz todo a sua retórica de convencimento. Este homem de “expressivo” cabedal cultural, membro da ABL, merece todo o nosso menosprezo. Tornar a biblioteca de Sarney pública, como ele próprio falou após receber notícia da denúncia, deve ser uma medida imediata dos nossos representantes no legislativo (se é que eles no representam!). De fato, como falamos inicialmente, a história das bibliotecas é conturbada e o presidente do Senado utilizou-a como instrumento de poder, não como deveria realmente ser utilizada, ou seja, em benefício da sociedade. Como futuro bibliotecário e idealizador de uma sociedade justa e igualitária, concluo com as palavras de Almeida Junior sobre a função do livro, da biblioteca e principalmente do bibliotecário: “(...) a nossa verdadeira função social que não é apenas incentivar a leitura, mas trabalhar com a informação, levá-la àqueles que dela necessitam. Através dela, permitir que a população conheça seus direitos, saiba como reivindicá-los, possua uma consciência social e política que possa transformar toda essa estrutura social”.



Ciro Athayde Barros Monteiro, professor de História, estudante de biblioteconomia Unesp-Marília.

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